A minha casa.


‘Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo’.
Quem o diz é George Moore em “The Brook Kerish”, sim diz não disse, porque as verdades eternas devem ser sempre referidas no presente. Como me encontro numa fase da minha vida em que esta frase faz mais sentido que nunca, partilho convosco um dos cantos da casa onde tenho encontrado tudo aquilo que preciso e onde haverá sempre lugar para mais um.
O apartamento situa-se num edifício projectado nos finais dos anos 60 do século passado pelo Arqº Pedro Ramalho com colaboração do Arqº Sérgio Fernandes e influência do mestre Arqº Arménio Losa. Este último deixou um espólio importantíssimo na cidade do Porto sendo da sua responsabilidade grandes exemplos da arquitectura moderna na cidade. Aproveito para criticar a irresponsabilidade da CM Porto que permitiu a selvática e ignorante (que são duas coisas bem distintas mas quando juntas perigosíssimas) intervenção a que um dos projectos de grande interesse patrimonial desenhado pelo Arqº Arménio Losa, sito na Rua Latino Coelho, foi alvo.
Quando a Marta e eu compramos o apartamento, em meados de 2006, encontrava-se em mau estado de conservação e já bastante adulterado. Para além de uma ou outra remodelação, o trabalho consistiu maioritariamente no restauro e retribuir o mais possível a imagem e funcionalidade inicial idealizada pelo Arqº Pedro Ramalho. Mesmo longe da perfeição, penso que foi conseguido.
Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2007

