Wednesday, October 31, 2007

Portugueses e África.

As crianças na imagem são senegalesas, nasceram no arranque do século XXI, contudo África continua a dificultar-lhes pensar no futuro. A Rtp tem passado ao longo do serão das terças-feiras um documentário sobre a guerra do ultramar, trabalho documental que ha muito sentia falta mas que feridas de uma guerra sem grande sentido teimaram em nao partilhar. Mas como explicar a alguém que durante dois anos da sua juventude teve constantemente a sua vida em jogo, que a guerra que combateu nao teve sentido? Para o meu pai é tarefa fácil, ele próprio, destacado por castigo de nao cumprimento a ordem de um superior para os temíveis lamaçais da guiné, sempre lhe foi inútil esse tempo passado em África, sempre sentiu uma desigualdade de forças, sentindo-se evasor e não defensor. Estranhamente da guerra sempre me contou episódios caricatos acompanhados de umas tantas gargalhadas fazendo-me sempre pensar enquanto criança que a nossa guerra do ultramar tinha sido diferente das outras, sem tiros, sem mortes, sem sofrimento, sem injustiças.
Na época, evocava-se a razão da guerra com a defesa de portugueses brancos que começam a ver as suas fazendas atacadas e por 400 anos de presença lusa nesses territorios. Se em relação da defesa dos primeiros se entende, porque acredito que a grande maioria dos portugueses que viviam em África eram pessoas de bem e que respeitavam os nativos como seus compatriotas, em relação à segunda já tenho muitas reservas. Em 400 anos Portugal e os Portugueses parece-me pouco ou nada terem aprendido com África, talvez fruto de uma arrogância tipicamente europeia de menosprezar as culturas africanas achando-as constantemente inferiores, nesses 400 anos Portugal e os seus governantes nunca souberam, ou quiseram, verdadeiramente assumir os territórios ultramarinos como patria lusitana (não é que eu fizesse muita questão nisso e particularmente prefiro ver esses territórios independentes e a assumirem o seu próprio caminho), nunca chegando a haver igualdade de oportunidades para os nascidos em África e Timor, sendo constantemente considerados portugueses de segunda, ou simplesmente nem seres humanos.
O passado serve para ser relembrado, e para além de situações de guerra só comparadas com os bárbaros extermínios nazi ou estalinista (sem comparar escalas), o que mais me entristece é continuar a achar que Portugal e os Portugueses continuam a ser maioritariamente uma cultura racista, escondedo-se simplesmente na capa de que há povos piores.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Senegal (Mbour), 2005

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Sunday, October 21, 2007

O admiravel mundo novo de Helena.

Ao quarto dia Helena (na fotografia ainda no berço do hospital) conhece o seu quarto. Do mais fino branco que de branco há, aglomeram-se pedaços de pré-pensamentos acumulados nos últimos meses, transformados que foram no mais variado mobiliário infantil. Assim é o quarto de Helena. Meses de uma espera tranquila por alguém saído de um angelical manto de ninfas inspiradoras. Mas Helena não se resume a uma mera inspiração, ela própria inspira-se de tudo o que dia após dia absorve nos seus agitados gestos de menina. Finalmente a 3 tivemos com Helena uma noite em casa, serena, protegida que se sentiu por uma Mãe incansável que me faz a cada instante lembrar a minha. Que felizes estamos.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2007

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Tuesday, October 16, 2007

Helena, 16 de Outubro de 2007.

Caros amigos, caras amigas, caros leitores, caras leitoras, desculpem-me a incapacidade de escrita mas estamos num frenesim desde o início do dia de ontem. Ainda assim o dia conseguiu ser mais longo para a Marta, 24 horas desde o primeiro gesto da pequena Helena para a sua chegada ao mundo. De um mundo do tamanho de uma barriga quente, confortável, reconfortante, a pequena Helena passou para um mundo do tamanho de um planeta e, quem sabe, se ainda no seu tempo conhecerá a plenitude de um universo. Foi destino que nascesse no dia de sua avó, o que para mim facilita a memorização de datas porque, como alguns sabem, e sofrem, não tenho grande aptidão para essas coisas deixando passar em claro os dias tão especiais de amigos e amigas.
Como imaginarão estamos felizes, muito felizes, querendo apenas com este pequeno gesto agradecer-vos a todos, aos que ligaram ao longo do dia de hoje, aos que adiaram o contacto para um futuro mais calmo, aos que lêem o que escrevo, pois fazem-nos sentir especiais, amados, acarinhados, o que dá desde o primeiro instante uma ideia à pequena Helena que o mundo é bom, muito bom.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2007

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Sunday, October 14, 2007

Preto de Carvão.

Peguei no meu telemóvel e com 2 Mpix realizei este pequeno tributo à obra de João César Monteiro. O mesmo diria: Humm?!… Também o diria!

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2007
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Thursday, October 11, 2007

Pernas.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2007

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Friday, October 5, 2007

IV REPÚBLICA, 2010!

Sempre achei a conjugação de cores da nossa actual bandeira uma aberração. Cheguei a argumentar que nos coloca exageradamente ao lado de África, argumento que me levou a ouvir um reparo por parte de uma amiga (Ana Filipa Portugal), que isso não poderia ser considerado uma coisa má, ao que ela tinha razão. Contudo, continuei a embirrar com a nossa bandeira, estéticamente a conjugação do verde e do vermelho é-me desconfortável. Claro que sempre que defendo que a bandeira deveria voltar às suas cores anteriores, o azul e o branco, sou igualmente alvo de criticas, desta feita sem fundamento dado tratarem-se de meras questões futebolísticas. Mas até para os ‘futeboleiros’ que desconhecem por completo a evolução e o verdadeiro signigicado das nossas bandeiras ao longo dos séculos, veja-se a dificuldade que os designers da Nike têm para o desenho e escolha de cores para as nossas camisolas das selecções desportivas. Apenas defendo que pelo centenário da República deveríamos emendar um erro cometido em 1910, onde apenas se deveria ter retirado a coroa da bandeira num respeito pelo nosso passado.

Porque a República tem que se reencontrar, Viva A República!

Jorge Garcia Pereira

 

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