Portugueses e África.
Na época, evocava-se a razão da guerra com a defesa de portugueses brancos que começam a ver as suas fazendas atacadas e por 400 anos de presença lusa nesses territorios. Se em relação da defesa dos primeiros se entende, porque acredito que a grande maioria dos portugueses que viviam em África eram pessoas de bem e que respeitavam os nativos como seus compatriotas, em relação à segunda já tenho muitas reservas. Em 400 anos Portugal e os Portugueses parece-me pouco ou nada terem aprendido com África, talvez fruto de uma arrogância tipicamente europeia de menosprezar as culturas africanas achando-as constantemente inferiores, nesses 400 anos Portugal e os seus governantes nunca souberam, ou quiseram, verdadeiramente assumir os territórios ultramarinos como patria lusitana (não é que eu fizesse muita questão nisso e particularmente prefiro ver esses territórios independentes e a assumirem o seu próprio caminho), nunca chegando a haver igualdade de oportunidades para os nascidos em África e Timor, sendo constantemente considerados portugueses de segunda, ou simplesmente nem seres humanos.
O passado serve para ser relembrado, e para além de situações de guerra só comparadas com os bárbaros extermínios nazi ou estalinista (sem comparar escalas), o que mais me entristece é continuar a achar que Portugal e os Portugueses continuam a ser maioritariamente uma cultura racista, escondedo-se simplesmente na capa de que há povos piores.


