Thursday, June 26, 2008

Feliz Aniversário Avô:

O meu Avô, na imagem, faz hoje tantos anos que já nem sabe.
O meu Avô também não sabe que lhe desejo feliz aniversário na ‘internet’.
O meu Avô não sabe que assim todo o mundo pode saber que o felicito.
O meu Avô não sabe que hoje penso muito nele.
O meu Avô, na imagem, faz de conta que os dias já não existem.
O meu Avô sabe muitas outras coisas,
Como o facto de o meu amor por ele ser infinito.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Vila Franca Da Beira (Portugal), 2003

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Thursday, June 5, 2008

Chato.

Nas várias relações humanas que como cidadão numa urbe sou forçado a manter, concluo que o Ser Humano é o Ser mais chato do planeta, logo após ao próprio Chato e ao Criqui, que é considerado no Brasil como o Chato do próprio Chato que, como tal, lidera a tabela.
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Wednesday, June 4, 2008

Le Corbusier & Pierre Jeanneret:

Dissociar Le Corbusier do seu primo Pierre Jeanneret parece-me um erro, um erro bastante corrente no discurso da vida e obra do próprio Le Corbusier. É indiscutível a dimensão mediática que o primeiro conseguiu, Le Corbusier foi mesmo o pioneiro a chamar a si as atenções provocadas pela febre do ainda contemporâneo Star System e soube tirar partido, como ninguém até à sua época, dos benefícios provocados pelos media à escala planetária. Sobre isso há mesmo um boato de que Frank Loyd Wright chegara a recusar receber o próprio Le Corbusier alegando não ter tempo para jornalistas.
Está patente até ao próximo dia 17 de Agosto a primeira grande mostra do trabalho de Le Corbusier em Portugal. Uma vez mais a referência a Pierre Jeanneret é quase imperceptível, continuando no ar a pergunta de como seria possível a Le Corbusier escrever livros e manifestos, viajar a todo o instante (recordo que o Star System da época funcionava a uns consideráveis Km/h mais devagar), dar palestras, organizar CIAM’s e ainda ter tempo de elaborar os mais de 300 projectos conhecidos na sua obra? Contudo, tendo em conta que esta mostra apresenta trabalhos de outras áreas que não só a arquitectura, parece-me aceitável usar a marca ‘Le Corbusier’ para atrair um público por vezes tão ausente dos problemas que arquitecta tenta resolver desde os tempos modernos e da sociedade ‘fast’ originária do pós-guerra.
Aliada a esta mostra está patente uma série de fotografias do certame Photo España especialmente seleccionadas para a sua relação com o trabalho de Le Corbusier.

Se ainda não está inteiramente convencido de visitar o CCB, lembro que a entrada para todas as exposições é gentilmente oferecida pelo Estado Português através de subsídio cedido ao Ex.mo Sr. Joe Berardo.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Lisboa (Portugal), 2008

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Tuesday, June 3, 2008

A minha rua mudou.

Era uma árvore poderosa, marcava claramente o topo da rua onde cresci. Em pequeno diziam-me que se tratava de uma Otília, mas parece-me que tal árvore não existe. Era à sombra daquela gigantesca árvore que brincava no recreio da escola, que esbarrava nos pequenos jogos do que pensávamos ser rugby, cuja idade nos permitia terminar os ensaios em pleno chão de cimento, que trocávamos as bolas de futebol (proibidas pela professora para não incomodar os adultos) por pacotes de leite cheios de ar dos nossos jovens pulmões oferecidos pelo tão generoso Estado democrático.
Há pessoas que nos são importantes na vida, mas há também árvores que o são, e para mim esta era claramente uma das mais importantes.
Ontem, a caminho do almoço que tem sido na companhia do eterno sorriso da Princesa Bebé, deparei com este cenário, dois senhores, em trajes que nos dão um toque de país quase evoluído, terminavam a limpeza daquilo que no dia anterior pensava ser uma rotineira poda, um pouco fora de época pensei posteriormente. A ‘Otília’, que era também o nome de uma professora daquela minha escola com um temperamento um pouco inadequado para crianças de 6 anos, terminou os seus dias, supostamente porque tal como nós não resistiu ao tempo e deixou-se consumir no seu interior pelo cansaço da idade.
Se alguma vez existiu um tipo de árvore chamada Otília, então era aquela e não existe mais.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Porto (Portugal), 2008

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