O optimismo mamário.
Neste fim-de-semana fui a um casamento de uma das boas amigas que guardo desde os tempos da faculdade.
Para além da habitual decoração temática deste tipo de eventos a que os convidados, e convidadas, se juntam trajando das melhores indumentárias que há lá pelo armário, presenciamos um ambiente leve e agradável que, mesmo com um dj fora de ritmo, nos acompanhou até altas horas da noite.
É precisamente sobre a melhor indumentária feminina que se trata estas minhas linhas.
Sabemos bem que as mulheres vivem nestas celebrações uma competição da qual só querem deixar vencer a noiva, tentando por vezes a todo o custo, atrair a si as atenções dos demais presentes e em particular a do fotógrafo.
Como as pessoas que uniam as suas intenções eram da minha geração e bastante próximas decidi, como quase sempre faço nestas ocasiões, fazer-me acompanhar de uma pequena máquina fotográfica 10,5×5,5cm para ir ao longo do dia retratando um ou outro momento que me parecesse interessante para o álbum das recordações. Num dos périplos pela pista de dança, munido da máquina a operar e acompanhado alegremente por um amigo, eis que somos interrompidos por um convidado para mim anónimo, propondo-nos que o fotografássemos já que tínhamos fotografado as mamas da sua namorada! É claro que não vos iria apresentar a fotografia de tal sortudo detentor dos direitos de usufruto do par de mamas referido, mas tentei encontrar as mamas que supostamente teria fotografado. Para tristeza de todos os visitantes do meu blog o melhor que encontrei foi esta imagem cujo ‘crop’ retrata a namorada (também ela para mim anónima), do anónimo anterior.
A mim por vezes parece-me que basta um homem estar com uma máquina fotográfica direccionada a um ser feminino, ou por vezes simplesmente um curto olhar, como quando estamos a olhar intermitentemente para um chão de frequência canina, para que uma mulher portuguesa pense automaticamente que os nossos intentos são os de a levar numa noite de aventura ou até mesmo a de seguir com ela as pisadas dos noivos presentes. Contudo, e depois de uma breve reflexão, pareceu-me que neste caso o optimismo vinha por parte do namorado, que dado a entediante música do dj achou que as mamas da sua companheira eram do melhor que havia naquela festa.
O ideal era que todo este optimismo fosse transversal na nossa sociedade o que, em tempos de crise, daria um enorme jeito.
Jorge Garcia Pereira
fotografia: Forjães (Portugal), 2008