Monday, July 28, 2008

O optimismo mamário.

Neste fim-de-semana fui a um casamento de uma das boas amigas que guardo desde os tempos da faculdade.
Para além da habitual decoração temática deste tipo de eventos a que os convidados, e convidadas, se juntam trajando das melhores indumentárias que há lá pelo armário, presenciamos um ambiente leve e agradável que, mesmo com um dj fora de ritmo, nos acompanhou até altas horas da noite.
É precisamente sobre a melhor indumentária feminina que se trata estas minhas linhas.
Sabemos bem que as mulheres vivem nestas celebrações uma competição da qual só querem deixar vencer a noiva, tentando por vezes a todo o custo, atrair a si as atenções dos demais presentes e em particular a do fotógrafo.
Como as pessoas que uniam as suas intenções eram da minha geração e bastante próximas decidi, como quase sempre faço nestas ocasiões, fazer-me acompanhar de uma pequena máquina fotográfica 10,5×5,5cm para ir ao longo do dia retratando um ou outro momento que me parecesse interessante para o álbum das recordações. Num dos périplos pela pista de dança, munido da máquina a operar e acompanhado alegremente por um amigo, eis que somos interrompidos por um convidado para mim anónimo, propondo-nos que o fotografássemos já que tínhamos fotografado as mamas da sua namorada! É claro que não vos iria apresentar a fotografia de tal sortudo detentor dos direitos de usufruto do par de mamas referido, mas tentei encontrar as mamas que supostamente teria fotografado. Para tristeza de todos os visitantes do meu blog o melhor que encontrei foi esta imagem cujo ‘crop’ retrata a namorada (também ela para mim anónima), do anónimo anterior.
A mim por vezes parece-me que basta um homem estar com uma máquina fotográfica direccionada a um ser feminino, ou por vezes simplesmente um curto olhar, como quando estamos a olhar intermitentemente para um chão de frequência canina, para que uma mulher portuguesa pense automaticamente que os nossos intentos são os de a levar numa noite de aventura ou até mesmo a de seguir com ela as pisadas dos noivos presentes. Contudo, e depois de uma breve reflexão, pareceu-me que neste caso o optimismo vinha por parte do namorado, que dado a entediante música do dj achou que as mamas da sua companheira eram do melhor que havia naquela festa.

O ideal era que todo este optimismo fosse transversal na nossa sociedade o que, em tempos de crise, daria um enorme jeito.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Forjães (Portugal), 2008

Posted by loucomotiva at 19:26:15 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, July 10, 2008

Imagens que não quero ver:

Hoje chegou à minha caixa de correio electrónico uma daquelas mensagens que ninguém quer receber. Tratou-se de uma circular com imagens chocantes de algumas das facetas mais tristes da actual sociedade chinesa, numa tentativa de pedir ao mundo que boicotem a sua participação, nem que seja televisiva, aos próximos jogos olímpicos de Pequim. Preferi anexar a este texto esta bela menina que fotografei no Nepal há cerca de dois anos e poupar-me à repetição das imagens recebidas e que me deixaram num estado indescritível. Embora seja da opinião que se deva falar e combater o mal que neste século ainda graça por este planeta, estando em termos cósmicos (e não só), pertíssimo da idade média, e que entenda o que muitos fotógrafos de guerra fazem e defendem, penso que a repetição exaustiva de imagens chocantes devia, tal como o comunismo na china, ser banido. Não tenho a minima dúvida de que se a filha que tenho com 8 meses nunca viesse a ter contacto com a violência e com muita da ficção que passa gratuitamente em nossa casa através da televisão e agora através da internet, dificilmente se lembraria de arrancar um olho a um gato, fazer sofrer um cão, esfolar um animal vivo só para que a sua pele fique mais macia num novo casaco, ou passar descontraidamente por um recém-nascido que jaz na berma da rua após ter sido propositadamente ali deixado para que um camião o devolvesse ao reino dos céus só por ter sido menina. Tudo isto que descrevo relata sucintamente o teor das imagens que recebi oriundas da China e que me deixaram num estado supra-citado. Actualmente muito se fala da China, como dos Estados Unidos da América, como de todos os países que economicamente se tornam importantes, esquecendo-se deste modo que outras atrocidades se passam, mesmo que a menor escala, em países humildes e brandos como o nosso. Não será para nós difícil encontrar situações de maus tratos a animais e situações escabrosas com crianças na tão respeitosa Europa.

No entanto confesso que me aborrece um pouco esta avidez de lucro que jarra dos nossos investidores que se atiram com todas as garras para mercados como os da China ou Angola. E não é por um sentimento tipicamente luso de inveja, é porque tenho a clara noção que essa mesma gente não se preocupa minimamente em melhorar a condição geral da vida daqueles povos. Infelizmente eu, que tenho por exemplo automóvel e calço meias, participo indirectamente em toda esta pouca vergonha.

Jorge Garcia Pereira
fotografia: Kathmandu (Nepal), 2006

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