Thursday, January 29, 2009

Ensino e Instrução:

‘- O que precisa realmente deve saber uma criança no final do 1º Ciclo?
 - Precisa de ser sociável, saber relacionar-se com as outras crianças e os adultos. É muito importante para o seu desenvolvimento. E tem de saber comunicar - falar, ouvir, ler e escrever. A língua e a literacia são muito importantes para entrarem bem no programa do 2º Ciclo.’
Peter Mathews, in Visão nº830

Os Pais facilmente descartam a responsabilidade principal que têm na instrução dos seus filhos para a escola.
Grande parte do que refere Peter Mathews os Pais portugueses deixam a cargo da escola, quando são eles os primeiros nesse processo de formação da criança enquanto individuo inserido na sociedade. Os Pais portugueses são genericamente na minha opinião maus, alimentam o consumo desmedido e fútil, a ostentação, aceleram a pressão dos filhos na obtenção dos melhores resultados na escola sem que os acompanhem nesse processo esquecendo-se de que os nossos filhos têm acima de tudo de serem felizes e não os melhores. Enchem os McDonalds e centros comerciais, esgotam play-stations e leitores de dvd’s que tanto jeito dão para entreter crianças e pararem de nos aborrecer!
Os professores, actualmente às aranhas com tanta avaliação e burocracia, vêem-se forçados a lidar diariamente com crianças com péssimos Pais. Eles próprios na sua maioria são professores de último recurso. Sem capacidade de lidar com a exigente prática de instruir estão agora a ser perseguidos por um ministério que quis na sua génese acabar com a pouca vergonha de muitos professores inqualificados que faltavam desmesuradamente deixando crianças à sua própria responsabilidade. Por uns pagam os outros, e quanto aos professores notáveis que tive enquanto aluno e que nunca os esquecerei, lamento todo o tormento que actualmente vivem.

Jorge Garcia Pereira

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Monday, January 26, 2009

Café Ceuta: 21.01

    13h30:

    - Jorge, esqueci-me de te avisar mais cedo, mas hoje tens que ir a uma junta médica às 16h30 aqui pela empresa!
    - Lá se vai a tarde!

    16h30:

    - Como está desde o ano passado?
    Reparo pela informação dada por uma balança tão trépida como o ambiente que a envolve que perdi uns quilos! 73 regista agora um mecanismo que comigo costumava oscilar entre os 75 e 80.

    - Deve ser do trabalho e duma menina que lá em casa já não me deixa dormir como outrora - justifico.

    A médica, Amélia, contrasta com o espaço. É uma mulher na casa dos 50’s, bonita, cativante ao falar pela simpatia que disfarça o tédio que passa num dia de consultas deste formato, 8 horas por dia, quando não mais. Alinho na sua simpatia para lhe ajudar a melhorar o dia, aqui e ali voltamos ao que realmente nos prende ali,

    - Sim vejo bem e penso não ter problemas de audição.

    No final ligo à Marta, sabendo que anda a deambular pelo centro da cidade. Está no Majestic (é uma mulher de fino gosto). Marcamos encontro na praça Filipa de Lencastre onde tenciono comprar um suporte de candeeiro para a casa de campo, retorquindo que onde se encontra é local caro e tenciono encontrar a habitual meia de leite e meia torrada a melhor preço.

    Dou por mim em frente ao Café Ceuta, sempre gostei deste café embora nos tempos do meu escritório em Cândido dos Reis o tivesse preterido face ao Café Aviz, talvez pela proximidade. No seu interior é desolador o que vejo, encontrando par com as instalações da consulta da junta médica mas desprovido da simpatia da Dra Amélia. Apesar de detestar ser brindado com uma má torrada arrisco a entrada.

    Em breve o Café Ceuta desaparecerá, pelo menos com esta escala de espelhos contínuos e mesas de madeira aconchegadas umas às outras. Talvez para dar lugar a um renovado e sofisticado Ceuta, quem sabe temático, com ilustrações da conquista de quatrocentos. Nessa altura haverá na cidade uma onda de nostalgia por este Ceuta onde me encontro, onda essa difundida precisamente por todos aqueles que aqui nunca os encontro.

    18h30

    Jorge Garcia Pereira
    Fotografias: Porto (Portugal), 2009

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    Vozes Do Silêncio #003:


    Jorge Garcia Pereira
    Fotografias: Vila Franca da Beira (Portugal), 2008 & 2009

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    Friday, January 23, 2009

    Jaime Isidoro (1924-2009)

    O ano parece ser de perda. Depois da perda de João Aguardela, voltamos a perder mais um notável no nosso meio, Jaime Isidoro. Nascido no Porto em 1924, o artista notabilizou-se pelas suas aguarelas e pela relação com a sua cidade, encontrando apenas par com o também já desaparecido António Cruz, este último retratado com a mestria de Manoel de Oliveira em ‘O pintor e a cidade’. A avaliar pela discreta divulgação da sua morte, parece que o Porto e o país já se tinham esquecido de Jaime Isidoro. É pena.
    Para nossa felicidade fica a sua memória e obra.

    Jorge Garcia Pereira

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    Wednesday, January 21, 2009

    44º:

    Discurso de tomada de posse de Barack Hussein Obama, 20 de Janeiro de 2008.

    em português

    Posted by loucomotiva at 13:51:40 | Permalink | Comments (1) »

    Tuesday, January 20, 2009

    Barack Obama e o início do Século XXI (Um novo IIuminismo).

    Relaciono o período em que vivemos (o meu optimismo assim o permite), com o Iluminismo do século XVIII que foi talvez um dos períodos mais notáveis da nossa história. Impulsionados pela Revolução Cientifica da segunda metade do século XVII, pensadores com Bento Espinosa, Voltaire, Montesquieu, David Hume, Kant, Adam Smith entre tantos outros, marcaram um período de grande desenvolvimento no pensamento e modo de interpretar o mundo e os homens de então.

    Parece-me que a humanidade ainda não se uniu no aproveitamento comum da revolução tecnológica que assistimos na segunda metade do século XX. A dificuldade de acesso a essa revolução ainda se faz sentir em muitos lugares de um planeta globalizado e no dia-a-dia de muitas pessoas que, aparentemente, poderiam tirar melhor proveito da sua posição geográfica e do que a tecnologia aliada à produção lhes pode oferecer. O próprio planeta em si agrava a sua qualidade por um estranha acção humana de auto-destruição colectiva através do não uso de tecnologia que nos permitiria, hoje, gerarmos a energia que consumimos de forma mais limpa.

    Hoje com a tomada de posse de Barack Obama, naquele que ainda é o país mais poderoso do mundo, parece começar a Era pelo qual o Século XXI poderá ser lembrado. Não é só o simbolismo de haver um presidente da maior potência mundial mestiço mas sim do que ele próprio diz e significa enquanto indivíduo.

    No seu discurso de hoje o novo presidente dos Estados-Unidos deixou a mensagem de que o mundo mudou e que todos temos que mudar perante o mundo, que temos que o cuidar e de relembrarmos de muitos dos valores que estão na base e génese da nossa sociedade.

    Se há efeito positivo da ‘crise’ que actualmente vivemos é a necessidade de mudança dos valores ou, como defendeu Obama no seu discurso de hoje, o regresso aos Valores de outrora que o mundo do grandes negócios fez adormecer. Não vejo nisto uma atitude conservadora, mas sim um virar de rumo em que a Ética volta a ser tema de conversa entre os homens e em que o reconhecimento do outro tenha em si mesmo o seu barómetro.

    Yes we can

    Jorge Garcia Pereira
    Fotografia: New York City (USA), 2004

    Posted by loucomotiva at 21:55:09 | Permalink | No Comments »

    Sunday, January 18, 2009

    Uma pequena homenagem a João Aguardela (1969-2009)

    No dia em que nos deixou João Aguardela pedi a um grande amigo, Rui Lage, também ele grande amigo de João Aguardela, que me deixasse publicar aqui no meu canto, um dos textos que os Naifa musicaram da sua autoria. Numa primeira reacção hesitou, dado ser um escritor tão notável como discreto, queria que João Aguardela fosse simplesmente lembrado pelo seu contributo à música Portuguesa e não por terem colaborado. Contudo, e após insistência minha, o Rui acedeu ao meu pedido enviando as linhas de ‘Antena’ onde anexou esta brilhante história que (perdoa-me Rui), não consegui deixar de querer partilhar com quem me visita:

    ‘Deixo-te o “Antena”, que o João, o Luis Varatojo e a Maria Antónia
    Mendes musicaram para o segundo álbum de A Naifa, “Três minutos antes
    de a maré encher” (2005). É um poema do meu primeiro livro, “Antigo e
    Primeiro” (2002), tal como o poema “Hécuba”, que o João escolheu para
    o álbum de estreia de A Naifa. Só que enquanto este último poema foi
    parar ao álbum de estreia um pouco porque a Mitó (a Maria Antónia
    Mendes) “sentiu” que era cantável (ou sentiu-se imediatamente bem a
    cantá-lo, já não tenho isso bem presente), o “Antena” foi uma escolha
    muito mais pessoal do João. Mesmo antes de começarem a gravar o
    segundo disco disse-me que desde o instante em que leu esse poema
    (andava ele em digressão com os Linha da Frente, aí por 2002 ou 2003)
    decidiu que “queria fazer alguma coisa com ele” (são palavras dele).
    Na altura A Naifa ainda não existia, e ele devia estar a pensar,
    decerto, no próximo disco de Megafone. Percebo porquê: o “Antena” tem
    alguma coisa a ver com a postura do João perante a “terra” - a terra
    mater, berço, origem, raiz. E com o amor dele, generoso, à tradição
    da música portuguesa: à do trabalho no campo (dos lavradores, dos
    pastores, das ceifeiras) e à das liturgias e ritos sociais e
    comunitários (as encomendações das almas, os autos da criação do
    mundo, as carpideiras, etc.). Mas esses versos acabaram por ser
    domesticados por A Naifa. Também me recordo de lhe ter pedido para não
    começar a trabalhar sobre o “Antena” antes de lhe enviar uma versão
    “retocada”, diferente da do livro. Por isso o “Antena” que está no
    booklet (ao João não agradaria nada este anglicismo) do CD é diferente
    do que vem impresso em livro. Desculpa lá este lençol, tanto
    palavreado por tão pouco. Ainda por cima agora é bastante doloroso
    recordar estas coisas.’
    ANTENA
    
    Minha benévola terrase eu te pudesse beber,pacificar, fazer guerra,sentar-te à mesa e escrever.
    
    Ó minha terra de aradosde tardes lentas e quentes,e luz que mostra paradosrebanhos incandescentes.
    
    Quando passo de automóvelesqueço-me de onde moroporque sou meu lar imóvel.
    
    O rádio sempre a tocarum coração avariadoque não posso desligar.
    
    Posted by loucomotiva at 21:25:57 | Permalink | Comments (1) »

    Monday, January 12, 2009

    15 de Janeiro, Café Guarany:

    Os Intemporais são uma ideia criada por um amigo de longa data, Pedro Quezada. Roupagens envolventes de temas de nós bem conhecidos, contra-baixo desconcertante, teclados de veludo e voz feminina.
    Um projecto para conhecer em: http://myspace.com/intemporais

    No dia 15, próxima quinta-feira, estarão ao vivo no Café Guarany, sito Avenida dos Aliados, Porto. Sendo igualmente o dia de comemoração do meu aniversário, convido-vos a aparecer pelas 21h30, numa noite em que certamente a música terá que ficar para segundo plano.

    Jorge Garcia Pereira

    Posted by loucomotiva at 09:56:20 | Permalink | No Comments »