Proibido Fumar.

Ora aí está uma fotografia que sempre desejei, o local onde costumo lanchar perto do escritório, sem fumo. Trata-se de uma padaria numa zona periférica da cidade, cheia de bairros outrora povoados de familias operárias vindas do interior e que em cada metro quadrado ocupavam com uma pequena horta. Hoje os filhos dos mesmos continuam a povoar estes mesmos bairros, as fábricas deslocaram-se e os seus filhos já nem da horta sabem cuidar acomodando-se ao subsídio, ao preço de não trabalhar. Agostinho da Silva defendia que estes, os homens de ócio total, os desempregados, são o homem do amanhã, livre no tempo para executarem tudo na vida que desejam verdadeiramente fazer. Mas ao contrário do homem do futuro de Agostinho da Silva, os filhos dos operários dos bairros à volta da padaria onde costumo lanchar, não passam o dia a fazer o que verdadeiramente procuram gostar, limitam-se a passar o tempo, até ao passado dia 31 preferencialmente a fumar de manhã à noite por todos os cafés e padarias da zona.
Para além de não ter que escolher o local menos poluído para lanchar, passei a acreditar que pelo menos os filhos dos operários que vivem na zona onde trabalho terão que mudar de estilo de vida.
Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2008
Para além de não ter que escolher o local menos poluído para lanchar, passei a acreditar que pelo menos os filhos dos operários que vivem na zona onde trabalho terão que mudar de estilo de vida.
Jorge Garcia Pereira
fotografia: Portugal (Porto), 2008
