Bolha no pé.

Fosse esta senhora a Presidente da Câmara Municipal do Porto e grande parte dos problemas da cidade estariam para mim resolvidos. Infelizmente a realidade não é assim tão sedutora e obriga-me a cada instante preocupar com os rumos da actual gerência.
Vem agora a terreiro a transformação do Mercado do Bolhão em algo que desconheço. A História parece repetir-se, primeiro a conclusão precipitada das obras na Praça Carlos Alberto, depois o túnel que desagua em plena entrada de um dos melhores Museus da cidade, mais tarde a Avenida dos Aliados e por fim o Rivoli. Em alguns casos fui concordante com o que se fez, mas vem apenas aqui à lembrança todos estes casos para que fique claro que de nada tem valido à cidade unir-se na defesa do que parece ferir a sua plena identidade.
Identidade? Qual identidade?
Para além do futebol o Porto parece-me ter finalmente assumido o seu carácter bairrista no pior sentido do termo, fechada e bloqueada que está a sua cultura em circuitos populistas de quem dá votos a troco de rendimentos mínimos e de algumas romarias ao longo do ano.
Do Bolhão parece-me apenas preocupar a construção massificada que o tal projecto na mesa propõe num desrespeito total por um dos edifícios mais nobres e bem conseguidos do século passado. Quanto aos pregões do Bolhão, às senhoras com ar atrevido que me propõem comprar uma cueca a cada passagem, resta desejar-lhes boa sorte na vida, pois mesmo não sendo eternas, morrem contudo de ‘morte matada’ afogadas num rio que desagua com uma surdez ensurdecedora.
Jorge Garcia Pereira
fotografia: Porto (Portugal), 2008
